Bancada ruralista: os impactos que essa frente causa no país

A Frente Parlamentar da Agropecuária — FPA — ou apenas bancada ruralista, como é popularmente conhecida, é formada por mais de 250 deputados federais, o que a torna a frente mais atuante na Câmara dos Deputados, representando os interesses de produtores agropecuários. Por conta disso, o poder de decisão do que vai ser ou não aprovado, acaba ficando na mão deles.

Não é a toa que o poder está com eles, o agronegócio é o setor que mais gera economia no país — mesmo que de forma ruim. Mas, por de trás de tudo isso, a bancada ruralista traz muitos malefícios para o Brasil.

Vamos apresentar alguns dos impactos mais marcantes que a FPA causa, acompanhe para descobrir!

Meio ambiente

Em muitos textos aqui no blog, batemos na tecla do meio ambiente, porque ele é a base da existência de vida na terra. Por isso, temos que ter ciência do que está acontecendo com ele ao longo dos anos e como podemos ajudar.

A bancada ruralista tem uma enorme fluência nas pautas de legislação ambiental, aprovando códigos florestais que livram produtores que desmatam “acima do permitido”, para criação e plantação de rações para gado. Além disso, essa frente pressiona o governo para explorar áreas que contam com proteção ambiental, como parques ecológicos.

Não podemos esquecer, que os desmatamentos das áreas exploradas são feitos com queimadas, o que gera extinção em massa de vários animais silvestres, além de acabar com o habitat natural de alguns que conseguem sobreviver.

Eles também tentam aprovar pautas que desburocratizam licenciamentos ambientalistas, para poderem ficar livres de fiscalização e multas pela degradação do meio ambiente.

Terras indígenas

A bancada ruralista enxerga os indígenas como um obstáculo para o aumento da produção agropecuária, já que uma pequena parte das terras brasileiras são destinadas aos nativos do país. Tanto que tentaram a aprovação de PEC 215/2000 — pauta que circulava desde 2003 — dificultando a demarcação de terras indígenas e de quilombolas. Em junho de 2018, felizmente, a pauta não foi aprovada.

Porém, a ameaça aos índios e quilombolas ainda permanecem, prova disso são os conflitos que estão acontecendo no norte de minas entre nativos e fazendeiros, que estão colocando a vida dos nativos daquela região em risco.

Há muito do que se esperar sobre esse PEC ainda, agora com a posse do presidente eletio Jair Bolsonaro, é possível entrar em pauta novamente, uma vez que Bolsonaro é a favor dos ideais bancada ruralista.

Trabalho escravo

Em 2017, foram resgatados 407 trabalhadores de áreas rurais, depois de uma fiscalização de combate análogo ao de escravo. Eles trabalhavam de forma exaustiva e forçada em ambientes degradantes em troca de casa e comida, por conta de “dívidas” que tinham com os empregadores.

Entre 2003 à 2014, o agronegócio foi campeão na utilização do trabalho considerado escravo. Foram libertados 80% trabalhadores de lavouras, pecuária, plantação de cana e desmatamento.

Como se tudo isso não fosse suficiente, a FPA ainda tenta aprovar uma pauta com alterações nas regras do trabalho do campo e as propostas apresentadas são um tanto assustadoras. Se aprovada, os trabalhadores rurais deverão:

  • ter uma jornada de trabalho de 18 dias seguidos sem folga;
  • trabalhar em sábados, domingos e feriados sem receberem a mais por isso;
  • retirar da contabilização o deslocamento até o campo das horas trabalhadas;
  • manipular agrotóxicos nocivos à saúde;
  • receber salários de qualquer espécie — como alimentação e moradia.

Se aprovada, a Lei determinará como trabalho legal o caso dos 407 trabalhadores resgatados. Tudo isso para expandir ainda mais o agronegócio, trazendo mais problemas ao meio ambiente e aumentando as brigas com os nativos.

Agrotóxicos

Os agrotóxicos são usados para melhorar a rentabilidade do plantio, fazendo com que as pragas morram e, consequentemente, haja mais colheita. Muitos desses pesticidas usados no Brasil, são proibidos na Europa e nos Estados Unidos, e aqui, eles estão presentes no cultivo de cana de açúcar, milho e sorgo. Mas, mesmo assim, a bancada ruralista acredita que estamos atrás no ranking de colheita e por isso foi aprovada na Câmara do Deputados a PL 6299/02, conhecida como a PL no Veneno.

A PL do Veneno tem o objetvio de afrouxar ainda mais o uso desses e de outros agrotóxicos ainda piores para a saúde. Hoje, para aprovar o uso dessas substâncias é passado por alguns órgãos como Ministério da Agricultura, Ibama, Ministério do Meio Ambiente, Anvisa e Ministério da Saúde, dificultando a entrada desses pesticidas. A Lei, que ainda aguarda aprovação do Senado, quer que a decisão do uso desses agrotóxicos sejam avaliados apenas pelo Ministério da Agricultura, que avalia apenas a eficiência nas plantações e não o seu impacto para o meio ambiente e para a saúde.

O projeto ainda eliminas as restrições da atual lei de 1989, que proíbe o uso de pesticidas que possuem características cancerígenas, mutagênicas, que causem distúrbios hormonais e problemas no aparelho reprodutor, proibindo apenas substâncias que trazem riscos inaceitáveis para os seres humanos ou para o meio ambiente, ou seja, um tumorzinho aqui, uma mutação alí não faz mal para ninguém, porque, afinal, temos um sistema de saúde de dar inveja aos nosso vizinhos, não é mesmo?

Perigo para ambientalistas

Também não podemos deixar de citar que o Brasil é o país que mais mata ambientalistas no mundo, ao menos 207 ativistas ambientais foram assassinados em 2017. Não é fácil lutar contra os lobos do país, que só visam o lucro e esquecem dos impactos causados pela produção agropecuária.

De acordo com a ONG Global Witness, o Brasil vem sendo o mais perigoso para defensores de terra e do meio ambiente na última década. Segundo a ONG, os ativistas foram executados por se oporem a projetos de mineradores, pecuaristas e florestais. E para a notícia ser ainda pior, o governo tem cortado recursos de proteção para indígenas e ambientalistas.

Um caso que aconteceu esse ano de 2018 foi com a Luisa Mell, ativista, vegana e fundadora do Instituto Luísa Mell, foi ameaçada pela esposa de um presidente da maior empresa de exportação de animais vivos ao falar para seus seguidores do malefícios da exportação de carga de animais vivos. Luisa tornou a ameaça pública nas redes sociais e ainda informou aos seguidores que a polícia já tinha sido avisada, caso acontecesse algo com ela. Infelizmente, nem todos ativistas tem a mesma influência popular que ela.

Como você pode ver, os interesses da bancada ruralista estão basicamente atrelados a dinheiro, e não percebem — ou fingem que não — os impactos causados pelas atitudes de aumentar a produção agropecuarista. Animais, florestas, índios, trabalhadores rurais e ativistas perdem muitas batalhas ao longo dos anos para fazer do mundo um lugar melhor para todos nós.

Assustadores esses impactos, não? O que você acha de compartilhar esse conteúdo com seus amigos nas redes sociais, para que todos tenham noção das atividades que o agronegócio que não é tudo cria em nosso país?

Bianca SilvaBancada ruralista: os impactos que essa frente causa no país

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